quinta-feira, 6 de agosto de 2009

SUICÍDIO- PARTE 2

O suicídio é justificado?
Positivamente: não. Ninguém pode destruir o que não pode construir, ninguém pode tirar o que não pode dar.
Por outro lado, se o suicídio fosse remédio eficaz e definitivo para os males humanos, a população do globo estaria reduzida a proporções mínimas. São tão poucos os felizes. Bastaria um minuto de coragem ou um momento de desespero — que não faltam ainda mesmo ao mais fraco e mais timorato — e tudo estaria acabado.
O suicídio não é, portanto um remédio, e, quando muito, exterioriza o egoísmo dos indivíduos, furtando-se ao sofrimento; mais do que isso — representa a ausência de fé, de elevação moral, de superioridade de espírito, significa falta de vontade para reagir contra os golpes da desventura, ou suportá-los com heróica resignação; muitas vezes traduz inveja da alheia sorte, ausência de coragem para afrontar as consequências dos males provocados; alucinação da paixão; fraqueza psíquica, sempre. Não é um remédio, o suicídio, nem é um direito, porque ninguém pode violar impunemente as leis naturais, porque ninguém pode dispor do que não lhe pertence, e porque o indivíduo, suprimindo-se a vida, prejudica o esforço que deve à sociedade: comete um roubo.
Veiga

DESPEDIDA DA VIDA

DE TUDO, O PIOR MAL É TER NASCIDO

É um dia húmido de Novembro. São Miguel está, como quase sempre, sob uma espessa camada de nuvens. Azorian torpor é como os ingleses chamam a esta atmosfera opressiva, obsidiante, que não só atormenta o corpo como parece infiltrar-se e assediar a mente. Na baixa de Ponta Delgada, ao lado da Tabacaria Açoriana, fica a loja de quinquilharias de Benjamim Ferin. Antero entra na loja e cumprimenta o empregado. Está calmo, tranquilo. Pergunta se tem revólveres à venda. O empregado olha-o surpreendido. Antero, sorri:
- Sabe, vou morar para um local longe de vizinhança. Com os ratoneiros que andam por aí, é bom estar prevenido.
- Sem dúvida, senhor doutor. É mais prudente estar prevenido.
E vai buscar as armas que tem para venda. Antero analisa-as uma a uma. Acaba por optar por um revólver Lefaucheux. O empregado ensina-o a carregá-lo.
- Nunca peguei numa arma de fogo...
O homem dá-lhe mais algumas explicações. Quando vai a retirar as balas do tambor, Antero diz-lhe:
- Não, não. Deixe-o assim, já pronto.
O homem obedece, mas avisa de que convém nunca esquecer que a arma está carregada, pronta a disparar. Às vezes há acidentes...
- Esteja descansado. Vou ter todo o cuidado.
Enquanto embrulha o revólver com sucessivas camadas de papel, o empregado pergunta:
- Ouvi contar que o senhor doutor ia para Lisboa?
- Pensei nisso, mas desisti, pois ultimamente tenho passado melhor.
- Ainda bem, senhor doutor. Ainda bem.
Antero tira da algibeira algumas libras que põe sobre o balcão:
- Faça o favor de se pagar. Eu nunca me habituei a fazer dedução de moeda fraca.
Antero sai. Os homens que estão à porta, saúdam-no respeitosamente.
Vai a casa de seu primo, Augusto de Arruda Quental. Quando entra coloca o embrulho sobre uma mesa e, por cima, põe o chapéu. Conversa tranquilamente com o primo. Falam de banalidades. O tempo, a política, coisas da família. Quando Antero se ergue para sair, o primo dá-lhe o chapéu e faz depois menção de lhe entregar também o embrulho. Antero quase grita:
- Não lhe pegues!
Despedem-se.
Metendo pela Rua de S. Brás, encaminha-se a passos lentos para o Campo de São Francisco, uma ampla praça pública de Ponta Delgada. Aí, senta-se num banco, junto do muro do convento da Esperança.. Nesse muro, por cima do banco, um dístico em pedra lavrada mostra a palavra esperança sobreposta a uma âncora. Antero sorri. Esperança e uma âncora que o segurem à vida, eis precisamente o que lhe falta. Olha o largo, com as suas árvores, com as suas simétricas placas redondas de relva, circundando o pequeno coreto implantado no centro. Há pouca gente. Uma senhora passa perto levando pelas mãos duas crianças. À memória ocorre-lhe a imagem de um menino passeando ali, pela mão de seu pai, muitos anos atrás. De tudo, o pior mal é ter nascido, pensa.

Quero ser Antero de Quental

O cara que era santo

Aquele que abria um gavetão, e tirava de dentro cartas, papéis, ferozmente, como se arrancasse entranhas

O atormentado

Aquele que não buscou glória ou fama

Que transformou a dor em flor

Alquimista

Entregue ao amor

Metafísico das palavras


Jacqueline Quental

06/08/2009

Suicídio- parte 1



Ontem navegando no mar da internet,descobri que finalmente vai estrear aqui no Brasil o filme "Veronika dicides die",ou Veronica decide morrer, do livro de Paulo Coelho.Minha reação foi de total loucura pesquisando as prováveis datas de estréia,que óbvio estarei lá seja o dia que for!!!Daí quem me conhece sabe que quando um assunto me interessa escavo até o fim, e decidi...Não gente não decidi morrer, e sim procurar saber um pouco mais sobre suicídio!!!E descobri que Antero de Quental um antepassado da família cometeu tal ato e por um motivo que já sofri ou talvez ainda sofra,o transtorno bipolar,baseado nessa descoberta resolvi pesquisar mais sobre o assunto.Enfim...vou ficar expert .


Suicídio (do latim sui (próprio) e caedere (matar) é um ato que consiste em pôr fim intencionalmente à própria vida.
principalmente a quadros depressivos e que descaracterizam o ato.

Há uma frase célebre sobre o tema do filósofo Albert Camus: "O suicídio é a grande questão filosófica de nosso tempo, decidir se a vida merece ou não ser vivida é responder a uma pergunta fundamental da filosofia"



sexta-feira, 31 de julho de 2009

A choradeira pára, mas a dor não

E mais um dia ela acorda exausta da noite mal dormida,
Consumida apenas das lembranças,
de tudo que foi.
Boas lembranças daquele que hoje lhe causa mal,
Das lágrimas que ele sequer derramou,
Do olhar que ainda me causa tremor,
O sonho que teve e não realizou,
De tudo que passou,reciclou e se perdeu;
Da falta de vergonha de mendigar atenção,
Daquilo que morria e inutilmente tentava ressuscitar,
Pois já tinha sido consumido depressa,
E hoje a choradeira daquela descontrolada parou mas a dor continuou.
Jacqueline Quental
31/07/2009

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Hoje eu quero girar

Girar no parque,nos teus braços,na saia de uma dançarina de côco

Em uma roda de bicicleta

Girar numa dança cigana

o peão sem deixar ele parar

Girar na plataforma de uma vitrola

numa roda de ciranda

Girar pra ventilar a sua dor

pra ver misturar a cor

Girar no mundo pra fazer ele girar

Girar,girar e girar


Jacqueline Quental

25/07/2009

O mel dos teus olhos

A cor mel de teus olhos

Olhos que alimentam minhas vontades,meus desejos

Me atraem que nem ao beija-flor, a flor cheia de nectar

De me lambuzar

Cicatriza dentro de mim as feridas do tempo passado

O teu olhar que cristaliza dentro de mim

Olhos que me faz querer provar do doce sabor de sua boca

O mel dos teus olhos que faz querer ser meu



Jacqueline Quental

24/07/2009